Mulheres mostram como conciliar os cuidados com os filhos, o trabalho e os estudos para concursos públicos

 

 

RIO — A busca por uma remuneração melhor, estabilidade financeira e, de quebra, satisfação profissional tem feito com que muitas mulheres apostem nos concursos públicos como uma maneira de alcançar estes objetivos. Mas como conciliar trabalho, casa, marido e filhos com horas a fio de estudo? Uma tarefa complicada, mas não impossível, dizem elas.

 

O esforço das mulheres — incluindo as mães — para conquistar uma vaga provocou um aumento do número de representantes do gênero na administração pública, afirma Carlos Eduardo Guerra, especialista em concursos e diretor do Centro de Estudos Guerra de Moraes. Segundo ele, isso ocorre porque a maioria dos concursos não faz distinção entre homens e mulheres e, salvas algumas raras exceções, não afetam os salários.

 

— A mulher concorre em nível de igualdade com os homens, dependendo somente do seu potencial intelectual, seriedade e garra nos estudos para conquistar um posto no mercado de trabalho.

 

Guerrinha ressalta que as mulheres já são maioria em vários cursos preparatórios, como os para bancos, tribunais e magistério, entre outras áreas. Até mesmo na área policial, que durante muito tempo foi praticamente exclusiva para homens, já é possível perceber um aumento significativo do número de candidatas.

 

— É absolutamente normal nos dias de hoje a participação de mulheres com filhos pequenos e também gestantes em concursos públicos — afirma Lucélia Marua Nogueira, coordenadora do curso Epius Robotella.

 

Lucélia ressalta que, atualmente, nas listas de aprovação, o percentual médio de mulheres é de 50%. E que o desempenho das que têm filhos, em algumas áreas, chega a superar os resultados obtidos pelas que não são mães. Performance que, inclusive, vem superando a dos homens.

 

Mas, para se dedicar tanto assim aos estudos, só determinação não basta. Muitas contam com o apoio da família ou recorrem aos serviços de uma babá, quando não matriculam os filhos em escolinhas. Foi assim com Lia Salgado, fiscal de rendas da Prefeitura do Rio, que contou com a compreensão e ajuda da família — ela é mãe de quatro filhos — para se preparar. Durante um bom tempo, os mais velhos precisaram cuidar dos menores no período da noite, enquanto ela estava no curso preparatório ou estudando em bibliotecas. A cobrança foi grande, mas valeu a pena:

— Eles não tiveram muita escolha. Reclamavam da minha ausência; da falta de atenção. Os pequenos tinham 3 e 6 anos e o caçula muitas vezes chorava quando ia para a escola, pedindo para eu estar em casa quando ele voltasse. Para os mais velhos, com 13 e 16 anos, também não era fácil a responsabilidade de cuidar dos irmãos.

 

O diálogo com os filhos foi muito importante para que entendessem a situação:

— Procurava deixar claro que também sentia muita falta de estar com eles. E tentava mostrar confiança, mesmo quando não tinha, de que tudo ia dar certo. Eles acreditaram — conta Lia, autora do livro ''Como vencer a maratona dos concursos''.

Outro ingrediente que não pode faltar à rotina de estudos é persistência. Que o diga a jornalista Carla Diniz. Pós-graduada em segurança pública, a profissional já fez 15 concursos e garante que continuará insistindo até passar para as seleções da Polícia Federal ou da Agência Brasileira de Inteligência Nacional (Abin), que ainda aguardam autorização do Ministério do Planejamento.

 

— É muito complicado conciliar os papéis de profissional, mulher, mãe e, agora, estudante. Mas tenho que me virar, pois foi isso que escolhi — diz Carla, que gostaria de ter mais apoio da família. — A grande dificuldade diante dessa rotina tripla de casa, estudo e filhas adolescentes é quanto ao tempo necessário para estudar. Sou separada e moro com os meus pais, que não compreendem que preciso de momentos de concentração e até isolamento.

 

Para otimizar a preparação para os concursos, a jornalista faz uma planilha que especifica quanto tempo dedicará aos estudos, às tarefas domésticas e às filhas:

— Claro que sempre ocorrem imprevistos, mas mesmo assim tento administrar o meu tempo da melhor maneira possível. Tem dado certo.

 

Ela admite, no entanto, que já pensou várias vezes em desistir, principalmente quando recebe a notícia de que não foi aprovada em mais uma seleção.

 

— Cada vez que você fracassa em um concurso, a autoestima cai. Mas tem que levantar a cabeça e dar a volta por cima.

 

Autor: Ione Luques

Fonte: Extra.globo.com



 

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September 13, 2019

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